Sócrates: a filosofia e seu ensino

Com Sócrates sendo condenado à morte, Kohan percebe que já nos primórdios da filosofia, seu ensino não tem lugar na pólis, pois, parece-lhe, o professor de filosofia não fala a linguagem oficial da cidade.

Isso, provavelmente, porque nenhum cidadão comum mostra saber algo de valor, ainda que acredita saber sobre tal. O filósofo, por outro lado, se diferencia do comum por um aspecto negativo, qual seja, crê ele nada saber além de sua própria ignorância; enquanto isso, políticos, poetas e trabalhadores manuais confessam alguma ciência, ciência a qual, quando desmedida, torna-se rival do ensino da filosofia.

Quando política em demasia, a educação filosófica é capaz de confundir-se com uma projeção social cujo fim não é o desvelo do ente, mas a transformação do estado das coisas; por outro lado, quando artística demais, o educador se compromete primeiro com a beleza das palavras, e somente depois com a verdade; por fim, quando produtiva demais, o professor promove um ensino ditado pelo mercado ou por qualquer outro marco externo. Todavia, por excelência, o ensino filosófico não deve se submeter a estes marcos: a atividade filosófica não é uma sabedoria exterior, é, porém, um modo de vida, um modo de ser, de existir no mundo.

Dessa maneira, não é possível a quem não filosofa ensinar a filosofar, e portanto, o chamado do professor de filosofia não é a política nem a arte nem o trabalho em si. Ainda que estes aspectos possam ser refletidos pelo mesmo, sua vocação é iluminar a vigília, de modo que a própria vida seja filosófica e seja a didática da filosofia.

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Categoria: Pedagogia e aprendizagem filosófica

Natalia Cruz Sulman

Sobre o(a) Autor(a) ()

Estudante de Filosofia (Universidade Federal de Pernambuco – UFPE), tenho paixão pelo mundo. Busco conhecer a vida em seus mais íntimos aspectos: desde a origem do primeiro ser ao que está se desenvolvendo no imensurável circulo existencial. Prezo pela comunicação afetiva e verdadeira e, através de tais encantos, vivencio a Palavra em seus mais profundos aspectos, isto é, o conhecer e o comunicar.

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