…na primavera há a noite escura

Entre as cores da mata e o preto-cinzento
Pintei a história da minha Presença
Esperando sempre o azul-anil

Mas neste lugar eu nunca estive
A esperar a primavera,
Nem o laranja nem o amarelo,
Pois as cores do outono me eram mais vivas

Porém de súbito a certa altura,
Percebi que ainda em março a chuva caía
E também os pássaros estavam silenciosos.
Ouvi então que quase tudo é possível
E mesmo na primavera
Pode haver a noite escura

Logo as flores laranjas passaram a ser
Tão vivas e vívidas quanto as folhas secas no chão,
Pois nem a primavera é o que parece

Enquanto estavam a dormir todos,
Assassinos e amantes – todos –,
Eu ouvia o som do silêncio
Expectando nascer o sol
Amanhã
Para justos e para injustos.

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Categoria: Artes e Letras, Poesias

Natalia Cruz Sulman

Sobre o(a) Autor(a) ()

Estudante de Filosofia (Universidade Federal de Pernambuco - UFPE), tenho paixão pelo mundo. Busco conhecer a vida em seus mais íntimos aspectos: desde a origem do primeiro ser ao que está se desenvolvendo no imensurável circulo existencial. Prezo pela comunicação afetiva e verdadeira e, através de tais encantos, vivencio a Palavra em seus mais profundos aspectos, isto é, o conhecer e o comunicar.

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