Publico

Se o faço, faço-o segundo regras. A partir de agora fico fixo. Esta é a minha imagem pública. Esta é a imagem que de mim projeto enquanto texto. O texto, porque texto, de meu pouco tem; e tão pouco de meu tem que o que de mim tem é ainda menos com o que de mim fica.

Se publico, assumido está que publico algo. Algo como isto. Isto sendo algo que publico. E ao publicá-lo digo algo. Se algo que digo é público, esse algo ao público pertence como testemunho público de algo que publicamente foi dito. Por tanto: se algo publico, público é esse algo. Ao publicá-lo o confirmo. É público.

Se publico tiro um retrato. Eis o meu registro público com que me publico, assim me tornando público. Dou assim parte parte de mim, a minha parte pública, a parte com que o público pode conversar, concordar ou discordar, refutar ou simplesmente ignorar. O público, na maior parte, nunca verá de mim mais que esta parte. Publicado o confirmo. É público este retrato — que tão mal me retrata.

Mas publico. E aos poucos me torno público, publicando-me aos poucos como tantos aos poucos o fazem. Publico, e sou como os outros. Aqui sou público. Daí que use as mesmas palavras, as mesmas frases, segundo as mesmas regras.

Sendo público público fico fixo. Esta é a minha imagem pública. De mim pouco fica; de minha tão pouco tem. Tudo dito e nada dizendo, fica então público: publico.

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Categoria: Artes e Letras, Crônicas e contos

Henrique Capeleiro Maia

Sobre o(a) Autor(a) ()

Se publico tiro um retrato. Eis o meu registro público com que me publico, assim me tornando público. Dou assim parte parte de mim, a minha parte pública, a parte com que o público pode conversar, concordar ou discordar, refutar ou simplesmente ignorar. O público, na maior parte, nunca verá de mim mais que esta parte. Publicado o confirmo. É público este retrato — que tão mal me retrata.

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