A oração e os estudos

São Tomás de Aquino (1225 — 1274)

São Tomás de Aquino (1225 — 1274)

Venho dialogar com vocês sobre os perigos da valorização dos estudos sem medida, por excessivas vezes ser esta a causa do esquecimento das virtudes; porque é perigoso que nós jovens, quando observamos as práticas de nossos pais, lhes ponhamos os olhos apenas nas letras, nas habilidades com línguas, e nos engenhos produtivos, diminuindo assim o apreço por suas virtudes, humildade e purificação. Vamos esquecendo das continências dos mais velhos, lembrando-nos apenas da Tradição destes, e pouco vivificando-a com a ação. O envelhecimento, a maturidade, se torna sinônimo de aquisição d’uma robusta biblioteca, como se mais importasse o quanto lemos, e não o quanto caminhamos, ou como temos uma boa retórica, e não o quão castamente vivemos.

Devemos então compreender que é louvável a dedicação ao estudo, especialmente quando esta nos insere na Tradição, mas isto não nos deve ocupar tempo tal a nos trazer indisposição para a oração, o jejum, o exercício de mortificação e penitência, e de todas as demais coisas espirituais. Muito bom são os estudos e as letras, no entanto, devemos lembrar que não viemos cá para estas, senão estamos aqui para a edificação, para sermos bons religiosos (seres ligados a Deus). Isto é a abertura para o intelecto, e todas as outras razões são acessórias, embora nem por isso vãs: são elas instrumentos passíveis para a ascensão, mas todavia, instrumentos.

Quereis estudar estudes, mas antes ore, assim como depois. Podeis praticar a oração de São Tomás de Aquino, que diz: “Criador inefável, a Quem chamamos d’a verdadeira Fonte de Luz e de Sabedoria, e o Princípio supereminente, dignai-Vos derramar sobre as trevas da minha inteligência um raio de vossa clareza. Afastai para longe de mim a dupla obscuridade na qual nasci: o pecado e a ignorância. Vós, que tornais eloquente a língua das criancinhas, modelai a minha palavra e derramai nos meus lábios a graça de vossa bênção. Dai-me a penetração da inteligência, a faculdade de lembrar-me, o método e a facilidade do estudo, a profundidade na interpretação e uma graça abundante de expressão. Fortificai o meu estudo, dirigi o seu curso, aperfeiçoai o seu fim, Vós que sois verdadeiro Deus e verdadeiro homem, e que viveis nos séculos dos séculos. Amém.”

Deste modo tereis o primeiro passo para estudar em oração constante, lembrando também de levar o significado das letras à alma. Caso contrário, esquecendo os exercícios espirituais que tocam o nosso aproveitamento próprio, conhecerás logo o vício; pois já temos experiência suficiente para saber que quando não andamos como devemos, sempre é porque afrouxamos nos exercícios espirituais, mesmo que em troca destes tenhamos desfrutado das letras e dos saberes honrados pelos filhos dos homens.

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Categoria: Cristianismo

Maria Warshawiak

Sobre o(a) Autor(a) ()

Criada numa família judaica, fui abençoada por ter um tio judeu messiânico. Através dele cresci ouvindo as histórias de Yeshua. Hoje além de seguir o Cristianismo, me dedico a estudar o Tradicionalismo e as Letras Clássicas.

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