Acorda, Macac@!

Sim, tu.

Acorda.

Olha para mim enquanto para ti olho: agora.

Olha. <olh@ em volta>

Que vês?

Sê honest@. Aqui? Aqui é texto. Mas olha em volta. Olha para quarto; sala; banheiro.

Vê-te contigo em volta. Sem roupas roupas. Sem teorias. Olha.

Que vês?

Macac@.

Não penses. Olha. Vê apenas. Deixa cair o tédio que usas por máscara. Porque te parece cotidiano, cotidiano te parece, e por isso te não espantas. Ouve Lucrécio: “Como nada há tão fácil que ao principio / De concepção difícil se não mostre; / Assim também de grande, de admirável / Ao princípio nada há, que pouco a pouco De sua admiração não vá perdendo”. É tão próximo, tão junto que te de tão junto não o vejas próximo: tu. É uma direção que se te aponta e que te aponta teu ser como direção. Olha. Espanta-te!

Macac@!

Queres resumo? Resumo portanto: Tira a roupa; tira o engano. Deixa cair o tédio que usas por máscara. Olha!

Eis-te macac@.

Queres melhor prova?


Em homenagem a Charles Darwin, filósofo.

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Categoria: Crônicas e contos

Henrique Capeleiro Maia

Sobre o(a) Autor(a) ()

Se publico tiro um retrato. Eis o meu registro público com que me publico, assim me tornando público. Dou assim parte parte de mim, a minha parte pública, a parte com que o público pode conversar, concordar ou discordar, refutar ou simplesmente ignorar. O público, na maior parte, nunca verá de mim mais que esta parte. Publicado o confirmo. É público este retrato — que tão mal me retrata.

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