Nós

— cartas

Nós que aqui somos cartas, como cartas nos somos e como cartas somos nós. Nestas cartas que somos, nelas somos cartas e somos nós também. Tão bem nós cartas somos das cartas que somos nós, que somos nós nas cartas das cartas em nós. Sim, nós cartas e nós nas cartas, nas cartas damos e nos damos nós. Cartas somos; e somos nós.

Nós, as cartas, que nas cartas somos nós, nós cartas somos e cartas damos nós; nas cartas em que somos nós. Mais: nos nós das cartas que nas cartas somos nós, nós, as cartas que somos, por cartas nós mandamos e nos mandamos nós: mandando cartas; e por cartas nós.

Tantas as cartas mandando quanto mandando nós, tanto nos damos cartas como cartas damos nós: cartas dando; e dando nós. Dando cartas, e por cartas nós, nestas cartas selamos selando estes nós; nestas cartas tanto de nós.

Tantos nós quanto nós cartas, que tantas são as cartas e tantos somos nós. E todos nós, nós que somos, somos estas cartas, todas as cartas que nós somos. Mas não apenas nós: cartas também; e em todas nós. Todas nós todas as cartas, cartas somos todas e todas as cartas nós.

Em suma, se cartas somos todas e em todas as cartas somos nós, nós nos somos nas cartas e nas cartas encontramos voz. Nós com voz, voz das cartas, voz por cartas somos e somos por cartas nós. Afinal, cartas somos; nós, as cartas — cartas nós.

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Categoria: Artes e Letras, Cartas

Henrique Capeleiro Maia

Sobre o(a) Autor(a) ()

Se publico tiro um retrato. Eis o meu registro público com que me publico, assim me tornando público. Dou assim parte parte de mim, a minha parte pública, a parte com que o público pode conversar, concordar ou discordar, refutar ou simplesmente ignorar. O público, na maior parte, nunca verá de mim mais que esta parte. Publicado o confirmo. É público este retrato — que tão mal me retrata.

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