Breve nota sobre a crítica de Nietzsche à Platão

| 24/06/2016 | 1 Comentário

Nietzsche e PlatãoIronias sejam ditas: Quanto mais leio Nietzsche (N), mais Platão (P) se faz necessário. A crítica de N à teoria de P parte de dois claros equívocos:

i) Qualquer problema metafísico é um pseudo-problema, pois a metafísica é absurda, “um delírio da razão” – nas palavras do filósofo alemão.
ii) Para N, P é idealista.

No caso de i) esta é uma proposição simplesmente falsa, pelo fato de que não há outro modo de justificar essa tese, senão metafisicamente.

Com relação à interpretação de Platão como um idealista, parece-me, também falsa. Uma vez que, pressupondo que idealismo, grosso modo, é uma corrente filosófica que propõe que a natureza da realidade é mental e portanto sempre relativa ao sujeito, conceber Platão como um idealista, além de anacrônico (idealismo é uma tese que emerge na modernidade), é incoerente, uma vez que em sua teoria das ideias, estas não dependem do sujeito para existir.

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Categoria: Filosofia, Filosofia Antiga, Filosofia Contemporânea, Filosofia da Linguagem, Metafísica e Ontologia

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Comentários (1)

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  1. Jorge disse:

    Vejo um duplo equívoco na sua dupla análise! 🙂

    Sobre “No caso de i) esta é uma proposição simplesmente falsa, pelo fato de que não há outro modo de justificar essa tese, senão metafisicamente” :

    – Nietzsche justificava o erro da metafísica sob uma perspectiva totalmente distante do conceito inerente a própria metafísica, ou seja, o absoluto não se relaciona com nossas experiências, não é palpável, possível nas relações que denotam vida, portanto, baseando-se nas propriedades das experiências do corpo com o seu meio. Isso em nada se relaciona com “justificativa metafísica”.

    Sobre “Com relação à interpretação de Platão como um idealista, parece-me, também falsa. Uma vez que, pressupondo que idealismo, grosso modo, é uma corrente filosófica que propõe que a natureza da realidade é mental e portanto sempre relativa ao sujeito, conceber Platão como um idealista, além de anacrônico (idealismo é uma tese que emerge na modernidade), é incoerente, uma vez que em sua teoria das ideias, estas não dependem do sujeito para existir”.

    – Essa idéia de que “as teorias das idéias não dependem do sujeito para existir” é um tanto absurda, pois o conceito de idéia está diretamente ligado ao sujeito, pois a idéia metafísica partiu de uma criação de um sujeito (ao contrário, não existiria). Portanto, os conceitos embutidos na metafísica também são derivados de um sujeito.

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