Breve escrito para os que encontram na Filosofia a sua razão de existir

| 19/06/2016 | 1 Comentário
Se, oculto pela recusa em falar, a força motriz da tua existência for a Filosofia, és um assujeitamento não manifesto; certamente um forte loquaz, todavia, um ser-aí de fraco senso coletivo. Tenho medo de teu niilismo imperativo, da tua força que impera sem ter predicativo real de existência algum. Onde está o realismo de tua apolítica? Tenho-o tal como vejo a silhueta de um homem abandonado por si, ou antes, um quase por nada, exceto um idiota (quase) útil por ter boas referências. Acorda de teu sono letárgico; um filósofo jamais deve ser tão-só um filósofo. Como pensador de seu tempo, antes deve recordar das causas histórico-eficientes que edificam seu pensamento, sua possibilidade de pensar; como bom pensador de seu tempo, deve ser um homem em conformidade com ele e consigo, um cidadão que faz jus ao seu lugar não-justo; um sujeito atuante em seu momento e seu espaço; um participante segundo sua originalidade, sua vontade e perspicácia. Ouso ainda afirmar que aquele que tem a filosofia como sentido único de existência não só nega o mundo como aliena a sua negação, ou seja, a sua angústia; pois qualquer horror pelo existir não tem cunho metafísico, explanação disso está em que a Unidade fascina envolvendo (dá vontade de vida), e não pulsão de morte, que é o contrário disso. Teu terror, ó, homem negador de si, ó, mulher niilista, na verdade vem da vida que não se vive, da política que não se faz, do outro que não se cuida, das potências que lhe foram e constantemente são alienáveis, alienadas e renegadas. Digo mais: se tua única paixão for a Filosofia, és aquele ou aquela que esquece do pobre; em primeiro lugar, do pobre de espírito, que nem filosofa nem tem condição de filosofar; em segundo, do pobre de qualquer recurso material, seja porque não se esforçou para o ter, seja porque seu esforço não foi destinado a causas produtivas, seja porque não houve condição originária alguma de se esforçar para um único algo bom. Por isso digo mesmo; se tua única paixão for a Filosofia, tenho medo de me apaixonar por ti.

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Categoria: Artes e Letras, Crônicas e contos, Existência, Filosofia, Filosofia Social e Política

Ana Elizabeth

Sobre o(a) Autor(a) ()

Sou um pseudônimo do meu nome próprio, de uns vinte e tantos anos, duas dezenas de existência, umas centenas de angústia.

Comentários (1)

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  1. Este texto foi escrito de um modo tal que me faz gostar de o ler. Foi assim com alguns outros escritos da mesma autora. No entanto, me pareceu religioso (num certo sentido) de tanto “tu deves” (e questiono se há deveres que existem por si e absolutamente ou somente num sentido fraco e relativo que depende de aceitarmos determinados fins/interesses/valores que geram deveres para que possamos satisfaze-los mas que se desfazem (os deveres) se não aceitarmos ou deixarmos de aceitar esses fins/interesses/valores), além de possuir, na minha interpretação, uma má compreensão do niilismo como sendo efeito de certas causas, que podem de fato causa-lo mas que não são as únicas causas possíveis nem são estas as filosófica e cientificamente justificadas, também como de uma má compreensão dos possíveis desdobramentos do niilismo enquanto postura no mundo por parte do niilista. As razões para que eu tenha pensado isto que pensei podem ser expostas se houver disposição para o dialogo por parte de alguém que se interessar. Indico para os que não conhecem dois textos: O Vazio da Maquina e Ateísmo e Niilismo. O último é sequencia do primeiro (que por sua vez é sequencia de um outro chamado Ateísmo e Liberdade) e ambos são dos mesmo autor, o André Cancian.

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