As músicas do The Clash

the clashThe Clash, banda inglesa formada na ascensão do movimento punk, em 1976, se caracteriza pelo visual rebelde e pelas letras politizadas, abordando, em suma, mensagens sociais e protestos.

Já no primeiro disco da banda, lançado em 1977, destacam-se músicas tidas como clássicas até os dias de hoje, como White Riot, canção que estimula uma “Revolta Branca”:

Eu quero revolta / revolta branca / uma revolta própria / Homens negros têm muitos problemas / mas eles não se preocupam em jogar um tijolo / Pessoas brancas vão a escola / onde ensinam a você como ser um verdadeiro burro / e todo mundo faz / apenas o que eles dizem à fazer / e ninguém quer / ir para a cadeia / Todo o poder está nas mãos / das pessoas ricas o suficiente para comprá-lo / enquanto nós caminhamos pelas ruas / muito covardes para tentar isso / e todo mundo faz / apenas o que eles dizem à fazer (…) Você está sobre o comando / ou está recebendo ordens? / Você está indo adiante / ou você está indo para trás?

 Outro marcante pensamento da banda está presente na música Career Opportunities. Diz ela:

Eu odeio o exército e eu odeio a R.A.F. / Eu não quero lutar no calor tropical / Eu odeio as regras do serviço público / E eu não vou abrir as cartas bombas para vocês.

No segundo álbum da banda, Give’Em Enough Rope, o conjunto conseguiu atingir a lista da Billboard 200, na posição de nº 128. Lançou como singles as canções Tommy Gun e English Civil War. O disco mostra a contínua evolução da banda e deixa claras as influências de ritmos jamaicanos.

Mas foi apenas em 1979 que a banda lançou o seu maior clássico e um dos maiores clássicos da história do rock: London Calling. Nessa música The Clash prega que “A era do gelo está vindo o sol está se aproximando / Derretimento esperado e o trigo está nascendo fino / Máquinas param de funcionar, mas eu não tenho medo / Londres está afogando e eu vivo pelo rio”.

Como nos outros discos, a maioria das canções eram feitas em parceria por Joe Strummer (letras) e Mick Jones (melodias e arranjos), sendo que ambos eram os grandes egos da banda, com algumas exceções de canções feitas pelo baixista Paul Simonon. São dezenove faixas, que encantam o ouvinte a cada acorde, há praticamente todos os ritmos no disco, desde pop, punk, reggae, ska, jazz, R&B e rockabilly, além de ter músicas que estão inseridas no imaginário pop pra toda eternidade.

A capa do álbum merece um destaque também, uma das melhores da história de rock, com uma foto de Simonon quebrando uma guitarra e com uma referência explicita da fonte da letra à capa do primeiro disco de Elvis Presley, de 1956.

Após o álbum consagrado seria difícil a banda se superar, então resolveu ousar mais ainda nas misturas de influências e experimentalismo, lançando em 1980, Sandinista. As músicas não possuem muita uniformidade entre si como no álbum anterior e novamente possui de tudo, de jazz a reggae, de punk a funk, o disco seria catalogado nos dias de hoje como ‘world music’.

Ainda assim possui grandes clássicos do quilate da sensacional The Call Up, The Magnificent Seven e Police On My Back. Essa ultima música diz: “estou correndo com a polícia atrás de mim / Fui me escondendo com a polícia atrás de mim / Houve um tiroteio policial nas minhas costas / E a vítima, bem, ele não vai voltar / Fui correndo, segunda, terça, quarta / quinta, sexta, sábado, domingo (…) O que eu fiz?”

Alguns anos a frente, em 1982, The Clash lançou seu álbum de maior sucesso comercial até então, Combat Rock, puxado por clássicos como Should I Stay Or Should I Go e Rock The Casbah, canções que tocam nas rádios até hoje e são regravadas frequentemente. A banda descomplicou seu som nesse disco, além de voltar ao lançamento simples, lançou músicas mais voltadas para influências jamaicanas e as raízes punk, de modo que garantiu ótimas vendas tanto nos Estados Unidos e Inglaterra.

Após o lançamento de Combat Rock a banda passou por algumas mudanças em relação aos seus integrantes. Entretanto, em meio a turbulências, The Clash acaba se restabelecendo e lançando o que viria a ser seu último disco em 1985, Cut The Crap. Foi lançado apenas um single This Is England e com o passar do tempo o disco foi desconsiderado pelos fãs e pela própria banda, sendo que poucas coletâneas possuem o único single gerado pelo álbum, além de não ser citado na maioria dos documentários sobre a banda.

A banda encerrou suas atividades oficialmente em 1986, e seus integrantes seguiram suas carreiras com Jones montando a banda Big Audio Dynamite, com forte influência de ritmos jamaicanos e relativo sucesso nos anos 80 e hoje faz parte do Gorillaz; Simonon se dedica a artes visuais, além de também fazer parte do Gorillaz e The Good, The Bad and The Queen; Strummer lançou algumas bandas, atuou em filmes e faleceu em 2002, vítima de um ataque cardíaco; e Topper Headon formou uma banda de jazz e em tributo ao The Clash.

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Categoria: Música e Pintura

Natalia Cruz Sulman

Sobre o(a) Autor(a) ()

Estudante de Filosofia (Universidade Federal de Pernambuco - UFPE), tenho paixão pelo mundo. Busco conhecer a vida em seus mais íntimos aspectos: desde a origem do primeiro ser ao que está se desenvolvendo no imensurável circulo existencial. Prezo pela comunicação afetiva e verdadeira e, através de tais encantos, vivencio a Palavra em seus mais profundos aspectos, isto é, o conhecer e o comunicar.

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