Concepções gerais do Reducionismo e o modelo de Ernest Nagel

ernestO termo redução vem do vocábulo latino re-ducere ou do alemão zurückführen (reconduzir) o que já nos aponta pelo menos um caminho, a saber: o ato de conduzir de volta conceitos, termos, leis, teorias ou objetos a partir de outros domínios que na verdade são seus correspondentes mais verossímeis. A conseqüência de tal feito é a redução, diminuição ou resumo de uma teoria para outra seja no âmbito ontológico ou mais especificamente ontológico de propriedades, lógico-definicional, teórico ou causal.

A partir do Círculo de Viena, a ciência passa a exigir uma simplificação, diminuição e economia de entidades em seu conteúdo, o que resulta muitas vezes num aumento no poder explicativo da ciência reduzida. Suas teorias agora pertencem à doutrina da unidade da ciência (por exemplo, a química, a biologia e a psicologia, como ciências secundárias, são redutíveis finalmente à física fundamental) que estabelece através da redução uma teoria global fisicalista pela qual todos os outros campos de estudo são redutíveis ao sistema axiomático físico. Por conseguinte, o modelo científico não mais se torna certo compêndio de conhecimentos especulativos e inaveriguáveis. Assim o vocabulário da mente, agora insólito e abstrato em demasia, se torna obsoleto e a ciência, por ser objetiva, pede senão um campo de estudo objetivo pois, tendo em vista eliminar o dualismo cartesiano, não mais compreende o paralelo res cogita e res extensa, pelo contrário, suas teses passam a estabelecer que tudo o que existe é físico ou ao menos físico de algum modo.

Ernest Nagel foi um dos principais expoentes dessa discussão. Ele destacou o papel da redução na História das Ciências especialmente até meados da década de 60 quando, sob a forte influência do positivismo lógico, o reducionismo teve um lugar de maior destaque. Sua investigação compreende a ciência enquanto sistema axiomático, ou melhor, enquanto um sistema hipotético dedutivo a partir de determinados postulados, leis que dependem de terminologias específicas a serem deduzidas enquanto teoremas segundo determinadas asserções particulares. E isto é o que significa explicar e prever um determinado fenômeno empírico.

Quanto as formas de redução teórica, Nagel indica que elas podem ser homogênea ou heterogênea. A primeira delas ocorre quando inicialmente teorias têm uma certa independência e lidam com campos de determina ciência natural vistos separadamente ainda que utilizem os mesmos conceitos na construção de suas leis. Feita a redução, se torna relativamente fácil realizar essa dedução das leis de uma às leis de outra e assim mostrar que no fundo elas são partes de um todo maior, ou que talvez uma delas é uma pequena parte da primeira, ou seja, da redutora. Já quando as teorias usam termos distintos, Nagel fala de uma redução heterogênea. Existe nelas um obstáculo uma vez que as leis de uma fazem uso de termos distintos das leis de outra. Essa diversidade do vocábulo entre as duas teorias dá a impressão de uma divergência de objetos. E é justamente para resolver esse obstáculo da linguagem que Nagel propõe a noção de leis pontes (tradução do inglês “bridge law”), que seriam leis conectoras do vocabulário das duas teorias. De modo geral, ele aponta ser preciso que termos adicionais (leis-pontes) correlacionem dado vocabulário distinto (V1 e V2) de suas teorias (T1 e T2) com determinada condição de conectividade de modo que, para cada predicado da teoria a ser reduzida, exista necessariamente um predicado na teoria redutora. Finalmente, se por um lado as primeiras reduções definicionais traduziam apenas um termo, uma sentença ou uma lei, a redução de Nagel se baseia num todo, num vasto conjunto do que é uma teoria científica e constitui seu sistema.

Sua ideia, portanto, consiste em demonstrar que as leis básicas de T1 e T2 são uma só e portanto o domínio de objetos que T2 trabalha é parte do domínio de T1.

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Categoria: Filosofia Contemporânea, Filosofia da Mente, Psicologia e Neurociência

Natalia Cruz Sulman

Sobre o(a) Autor(a) ()

Estudante de Filosofia (Universidade Federal de Pernambuco – UFPE), tenho paixão pelo mundo. Busco conhecer a vida em seus mais íntimos aspectos: desde a origem do primeiro ser ao que está se desenvolvendo no imensurável circulo existencial. Prezo pela comunicação afetiva e verdadeira e, através de tais encantos, vivencio a Palavra em seus mais profundos aspectos, isto é, o conhecer e o comunicar.

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