Entre o Ópio e o Chá

Logo do jogo

Logo do game High Tea.

O game High Tea é ambientado nas primeiras décadas do século XIX e mostra como os britânicos venderam ópio para os chineses com o objetivo de adquirir prata e assim comprar chá para vender na Inglaterra. O jogo é uma forma fácil e lúdica de aprender como as potências imperialistas, neste caso a Inglaterra, se enriqueceram através da destruição de milhões de pessoas.

Depósito de ópio da Companhia das Índias Orientais em Patna, Índia

Depósito de ópio da Companhia das Índias Orientais em Patna, Índia

Ele começa com uma pequena narrativa sobre o contexto histórico da época, nela é dito como os britânicos estavam viciados numa nova droga chamada “chá” e que esta só era encontrada em grande quantidade na China, região fechada para comercializar com o Ocidente. Além do mais, os chineses só aceitavam fazer transações comerciais com prata, o que prejudicaria a economia inglesa. Então, os britânicos descobriram uma maneira de comprar chá, lucrar abusivamente e ainda tornar o gigante asiático mais fraco a partir de uma estratégia inteligente: vender ópio ilegalmente para os chineses e, através da prata adquirida pela venda, comprar chá e mandar como navio para a Grã-Bretanha. Assim, o gamer alimenta dois vícios ao mesmo tempo sendo que o primeiro destrói a vida de milhões de pessoas, enquanto o segundo não causa efeitos colaterais e é visto apenas como a tradição de um povo civilizado. O ópio é comprado na Bengala, Índia, e vendido em Cantão na China onde se compra o chá que será mandado para a Inglaterra. Já os navios que fazem o comércio ilegal na China saem do porto de Macau.

Com o passar do tempo, a demanda pelo chá aumenta bastante e para isso é preciso que o jogador venda cada vez mais ópio, mas se em um curto espaço de tempo você comprar demais o preço do produto subirá e será difícil atender a demanda por chá. Então, o jogador deve saber qual a melhor hora para comprar e vender a fim de sempre ter uma boa margem de lucros. Para vender mais ópio e consequentemente comprar mais chá a coroa britânica dá para o jogador um navio a cada ano para atender aos pedidos feitos pelos chineses. Em certo momento do game um burocrata dá ao jogador um cartão de suborno para ser usado quando um dos navios correr o risco de ser apreendido em um porto chinês.

Ao se aproximar de 1839, ano de início das Guerras do Ópio, a situação se agrava para o jogador, pois o preço dos produtos sobem bastante acabando por dificultar o comércio realizado pelo jogador. Em contrapartida, os britânicos querem mais chá e a própria rainha Vitória aparece para agradecer pelo trabalho realizado na China. Um novo burocrata chinês chega a Cantão e proíbe o recebimento de qualquer cartão de suborno. Se o jogador for sagaz ele chegará até o ano 1839 em que terá que atender o último pedido de chá, 616 caixas do produto, para ganhar o jogo e ver a seguinte mensagem:

 Em 1839, o Comissário Lin terminou o comércio pela apreensão e destruição do ópio britânico. Em retaliação, canhoneiras britânicas bateram portos chineses dando início à Primeira Guerra do Ópio. A guerra terminou em 1842 com o Tratado de Nanquim, que legalizou o comércio de ópio e cedeu Hong Kong aos britânicos.
Chineses fumando ópio

Chineses fumando ópio.

Depois de terminar o game o jogador pode ver as estatísticas em que são mostradas quantas caixas de chá foram vendidas e quantos chineses se tornaram viciados pelo consumo de ópio. Não há nesta parte a face das milhões de pessoas que tiveram a vida destruída pela droga, pois elas foram desumanizadas e transformadas em meras receptoras. Por fim, é dito que o jogador receberá uma rica aposentadoria pelos serviços prestados à coroa britânica.

Assim, High Tea mostra como se deu um dos capítulos do imperialismo ocidental na Ásia no século XIX, além de ensinar o que ocorre quando a busca pelo lucro se sobrepõe ao bem-estar das pessoas. Fácil de jogar e muito útil para aprender qual o melhor momento de vender ou comprar algo, o game suscita a seguinte pergunta: é mais importante para a humanidade o lucro de poucos (e como consequência a destruição do meio ambiente e da vida de milhões de pessoas) ou um sistema social que respeita os indivíduos e o planeta?

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Categoria: Ética e Cidadania, História, Pedagogia, Política

Mario Pereira Gomes

Sobre o(a) Autor(a) ()

Estudante de História (UFPE), tenho um grande interesse em estudar a humanidade e suas diversas facetas. Sou um ser mutável e busco não a perfeição, mas ser melhor a cada dia.

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