Arquivo para dezembro, 2015

Colóquio solar

Colóquio solar

Bastou o acordar para o dia tomar o lugar da noite. Não que o céu indicasse apenas a lua trocando o lugar com o sol, ou as sombras com a luz. Ignorantemente, indelicadamente, a mente humana costuma projetar significados antes de saber as regras do jogo; a cada colóquio, o impedimento de um novo despertar. […]

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Demócrito e o atomismo clássico

Demócrito e o atomismo clássico

Embora hoje o atomismo seja conhecido como uma doutrina física e química, seguramente seu estudo teve um preâmbulo filosófico, ou seja, não foi “cientificamente“ que seus fundadores – Leucipo (±490/460-420 a.C.) e Demócrito de Abdera (±460-360 a.C.) – sustaram os componentes últimos da matéria enquanto corpúsculos indivisíveis, em movimento num vazio infinito. Se quisermos uma demonstração disso, podemos recorrer a Aristóteles, pensador que […]

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O corpo utópico, Michel Foucault

O corpo utópico, Michel Foucault

Basta eu acordar, que não posso escapar deste lugar que Proust, docemente, ansiosamente, ocupa uma vez mais em cada despertar. Não que me prenda ao lugar – porque depois de tudo eu posso não apenas mexer, andar por aí, mas posso movimentá-lo, removê-lo, mudá-lo de lugar –, mas somente por isso: não posso me deslocar […]

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Capital intangível

Capital intangível

. Costumamos ouvir na mídia e nos livros que certo pintor de séculos ou décadas atrás está com obras expostas em um determinado museu, de um lugar x e com um preço que pareça em primeira vista absurdo para nós. Impressionava-me porque em vários casos aquele mesmo pintor havia gratuitamente cedido suas obras quando vivo […]

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A língua das musas

A língua das musas

Tua música é meu resguardo dos medos. Impecável, é a sonância e o timbre da vida. Se eu pudesse ouvi-la entre o espaço e a onda, Cortejaria o tocar no seguir dos teus dedos. Acompanho-os, mas o espetáculo me invade. Não me foi ministrada a língua das musas Nem a valsa do tempo e da intensidade. […]

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A filosofia da natureza na Idade Média

A filosofia da natureza na Idade Média

Alguns historiadores partem do pressuposto de que o medievo evidenciou os pressupostos metafísicos e éticos da cristandade suprassumindo assim a investigação grega acerca da physis. Contudo, embora o cerne do pensamento cristão não fosse a physis, uma vez que seu fim era justificar o sobrenatural e a possibilidade do milagre a partir da potência absoluta […]

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Little Birds: Estupro ou assassinato?

Little Birds: Estupro ou assassinato?

Filosoficamente diversos princípios acerca da justiça podem ser levados em conta, podemos ponderar entre o mundo dos atos perfeitos ou uma ética emotivista e quiçá um meio termo entre um e outro, porém os acontecimentos da vida não parecem sustentar senão uma única escolha. Quando o curto tempo não dá espaço para a razão, uma decisão pode ser tomada instintivamente. […]

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Temperança

Temperança

Não quero balbuciar o desejo que desvanece a temperança. Sei que aqui ele me suscita, sei que a devassidão criadora foi-me dada. Denego se esta é dádiva ou revés, por ora basta de tanto ardor produtivo, Cobiço meramente um ócio realmente ocioso. Apetecer-me-ia se junto da pausa a arte cessasse, Ou ao menos se dela […]

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Às paixões alegres

Às paixões alegres

Você me cerceia ao mesmo tempo em que liberta e me convence de que o novo é sempre velho, e confronta o meu cartesianismo, que pra você é antiético e parafraseia uma frase qualquer, enaltecendo a moral de valores ébrios e me induz a crer que a estrada dessa metafísica é o próprio magistério. [Transceder […]

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Sophia

Sophia

Às vezes sei bem o que quero; Uma paisagem distante, Uma lagoa, o campo; o mar, O barulho das conchas tocando tambor. Esses fortuitos, tão incapazes de se eternizar, Fizeram-se em momentos; Só minutos e instantes… Sei bem… Sei bem das tantas coisas que calam a vida, Mas, parece-me, prefiro ir à busca ao resultado. […]

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