An Education: um filme pedagógico

eduEducação/ An Education: Inglaterra, Estados Unidos/ 2009/ 100 min/ Direção: Lone Scherfig/ Elenco: Carey Mulligan, Olivia Williams, Alfred Molina, Cara Seymour, Peter Sarsgaard, Amanda Fairbank-Hynes, Dominic Cooper, Rosamund Pike.

Acompanhando o amadurecimento de Jenny (Carey Mulligan), uma garota de 16 anos, Educação nos revela uma séria problemática entre os adolescentes: o que um jovem deve sonhar para o seu futuro? É melhor ir para a Universidade, apostar em um emprego “tedioso e chato” ou viver uma vida divertida? A vida é mais que os livros ou os livros nos ensinam a viver? Para os jovens, seus pais e professores estão errados? Há certo e errado?

Já nos anos sessenta, época em que se passa o longa, essa problemática existia e desafiava os educadores – especialmente aqueles que se preocupavam com Jenny. A garota se dividia entre o sonho de entrar em Oxford e casar com David (Peter Sarsgaard), um rapaz rico e mais velho. O filme, positivamente, não critica apenas um dos lados, mas mexe com as convenções e oferece diversos ângulos da realidade educacional, para pais e filhos, alunos e professores.

Antes de falar de seu desfecho, é importante entender o contexto inicial de Jenny. Ela se dava muito bem na escola, senão a melhor, era uma das mais estudiosas alunas. Desde a infância, foi conduzida pelos pais a estudar do francês e latim à música. Mas sua subjetividade – como a de qualquer outra pessoa – não parte de um eu definido e unificado, ela é construída por uma série de identificações (conscientes e inconscientes) que podem ser manipuladas pela cultura, pelas transgressões, desejos e mudanças nas práticas cotidianas.

Nesse enredo, a personalidade de Jenny logo começa a mudar: de excelente estudante, começa a questionar suas escolhas para o futuro após pegar carona com um aparente perfeito cavalheiro de idade mais avançada, David. Primeiramente os pais de Jenny se incomodam com o rapaz, mas logo são também seduzidos pelos elaborados palavreados e sucesso financeiro do homem. Aos pais, parece-lhes ter esquecido uma atitude pedagógica importante.
Jenny queria crescer, mas precisava de um Outro para definir os termos e os limites de sua identidade. Além de seus impulsos adolescentes biológicos para o crescimento, ela se vê pressionada pela própria identidade social de David. Seu corpo, do ponto de vista biológico, é considerado maduro para os desejos sexuais, por outro lado, sua imaturidade psíquica e social gera a confusão, hesitações e pressão; esta última principalmente em relação a vida que David lhe proporcionava. Já viajavam, bebiam e fumavam juntos.

Parecia-lhe que os estudos lhe dariam tudo aquilo que ela já tinha: dinheiro, ingressos para concertos musicais, festas e viagens. Com essa vida em mãos, para quê ingressar numa faculdade agora, que tem David? Jenny parecia ter esquecido um lado muito mais complexo do diploma e do trabalho: a satisfação pessoal e a independência. E se David, como tão inusitadamente a acolheu, inesperadamente tivesse uma secreta vida e a deixasse?

Jenny pôde se machucar, divertir-se e admitir seu erro. No fim, felizmente, soube que o melhor a ser feito é saber que da adolescência vem o crescimento. E o que é o melhor caminho para este, senão a educação?

Eis seu caminho: educar-se e viver futuramente seu sonho por si mesma, sem a dependência de outrem.

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Categoria: Literatura e Cinema, Pedagogia

Natalia Cruz Sulman

Sobre o(a) Autor(a) ()

Estudante de Filosofia (Universidade Federal de Pernambuco – UFPE), tenho paixão pelo mundo. Busco conhecer a vida em seus mais íntimos aspectos: desde a origem do primeiro ser ao que está se desenvolvendo no imensurável circulo existencial. Prezo pela comunicação afetiva e verdadeira e, através de tais encantos, vivencio a Palavra em seus mais profundos aspectos, isto é, o conhecer e o comunicar.

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