Introdução à Filosofia da Natureza

Ontologia ou epistemologia: quatro questões possíveis

filosofia da natureza

A Filosofia da Natureza é um segmento filosófico que compreende a natureza do ponto de vista ontológico (da relação do ser enquanto ser) e/ou epistemológico (da origem, estrutura, método e validade do conhecimento).

Esta foi importante desde à antiguidade. Efetivamente a filosofia nasce entre os pré-socráticos com a problemática da physis pois tudo o que lhes era apresentado estava no mundo visível. Suas principais questões eram o movimento, a causalidade, o espaço/tempo e a constituição das coisas. A segunda fase da Filosofia Natural se encontra na modernidade nos séculos XVI e XVII. Baseada na relação entre o conhecimento e o poder, a relação entre natureza e tecnologia ganhou destaque. Finalmente, na contemporaneidade, os filósofos da natureza procuraram dialogar com as ciências, especialmente junto à teoria da evolução.

Ontologia

Do ponto de vista ontológico, esta conceitua a natureza enquanto:

 I. Total: não há nada na totalidade que não seja natural.

 II. Regional: há coisas que não são naturais e a natureza é uma região da totalidade.

Epistemologia

O principal problema epistemológico da Filosofia da Natureza está no acesso às coisas enquanto natureza. Estaria esse acesso mediado pelo conhecimento das ciências naturais (o que não inclui a Filosofia) ou na pluralidade?

Quatro questões possíveis

   I. Total + Ciência: predominante na Filosofia Analítica, a compreensão de que tudo o que existe é natural/físico, e tudo o que é natural e físico é explicado pelas ciências é chamada de naturalismo ou fisicalismo. Por esse ponto de vista os organismos teriam base na matéria, tendo alguns consciência e/ou integração social; ainda assim, o físico seria o aspecto primeiro da existência.

Trata-se da natureza como as ciências naturais a entende.

   II. Total + Plural: diferente  da primeira compreensão aqui exposta, esse entendimento parte do acesso à natureza não só pelas ciências naturais como também envolve uma compreensão plural, permitindo assim a interpretação filosófica a respeito das coisas do mundo. Dentro desta compreensão, cabe as seguintes perguntas: qual a capacidade da Filosofia de conhecer as coisas tal como são? Como podemos filosoficamente conhecer a natureza?

     III. Regional + Ciência: apesar de não compreender a natureza como totalidade, mas como parte, essa forma de pensar diz ser a ciência o melhor acesso ao que denominamos natureza. A principal pergunta aqui levantada é dado que a natureza não é sinônimo de totalidade, o que ela é?

a) Natureza x Cultura/História: o produto humano nasce da téchni̱ (arte), a intervenção da téchni̱ na natureza produz o artificial e, assim, há coisas que são do domínio das consideradas ciências humanas – tal como a História – e outras das ciências naturais.

b) Natureza Transcendência: nesta via a metafísica, por investigar o universo que ultrapassa ou vem depois da physis, ganha espaço máximo. Qualquer pergunta sobre as possíveis relações entre a natureza e a cultura extrapolam os limites das outras ciências a ponto de, mesmo se colocadas por um cientista, serem um problema filosófico.

     IV. Regional + Plural: também compreendendo a natureza como parte, essa compreensão engloba a filosofia, ciências naturais e humanas.

A partir da Filosofia da Natureza cabe pensar se o pensamento filosófico pode ser autocentrado em sua capacidade de acessar diretamente as coisas ou, por outro lado, se seria esta uma serva das ciências naturais. O que tem a filosofia a dizer? Poderia haver um meio termo virtuoso? Uma filosofia em contante diálogo com as ciências naturais considerando-a, mas mantendo sua independência crítica?


Texto baseado a partir da aula do Prof. Dr. Thiago André Moura de Aquino.

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Categoria: Filosofia, Filosofia da Natureza

Natalia Cruz Sulman

Sobre o(a) Autor(a) ()

Estudante de Filosofia (Universidade Federal de Pernambuco – UFPE), tenho paixão pelo mundo. Busco conhecer a vida em seus mais íntimos aspectos: desde a origem do primeiro ser ao que está se desenvolvendo no imensurável circulo existencial. Prezo pela comunicação afetiva e verdadeira e, através de tais encantos, vivencio a Palavra em seus mais profundos aspectos, isto é, o conhecer e o comunicar.

Comentários (2)

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  1. Como podemos filosoficamente conhecer a natureza?

  2. Ismar Dias disse:

    Olá João, tudo bem? Então, pergunta difícil ein? ou não? Não sei, depende do norte que vamos dar a resposta, afinal, o que é conhecer filosoficamente algo? bem, tentarei não me prender a conceitos como ‘epistemologia’, ‘ontologia’ ou ‘metafísica’. Apenas vale entender que o conhecimento filosófico segue uma linha de pensamento onde, o principal norte é a possibilidade de uma investigação que vai ‘para além do que a coisa é'(ontologia), resta saber que a filosofia não é uma filosofia natural, ela não pauta quesitos como movimento físico, estrutura biológica etc etc.. Sabendo disso, criamos uma margem para adotar uma ótica diferente para encarar a natureza. Ora, nada foi dito sobre o que é conhecer, mas sobre O QUE NÃO É CONHECER FILOSOFICAMENTE A NATUREZA.

    Então chegamos numa proposta, numa resposta que não é dada através de um resultado calculado, mas da indagação. Veja bem, ante de conhecer a natureza, dentro da filosofia, temos que saber ‘o que é conhecer algo’, então, dependendo do norte e da linha filosófica que você tomar, você obterá seu resultado.

    Abraços!

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